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terça-feira, 12 de Junho de 2012

Exercícios Estilo Revisão - UFU 2012


Exercícios Estilo Revisão
SOCIOLOGIA - SEGUNDA FASE - UFU



 

  1. Leia o trecho abaixo que se refere à origem da sociologia e em seguida responda a questões.

O que merece ser salientado é que a profundidade das transformações em curso colocava a sociedade num plano de análise, ou seja, esta passava a se constituir em “problema”, em “objeto” que deveria ser investigado.

Carlos Benedito Martins. O que é sociologia. São Paulo: Brasiliense, 1994. p. 14.

Qual a relação entre o texto e a sociologia positivista?

A Sociologia Positivista que surgiu na França tinha como tarefa racionalizar uma nova ordem, encontrando soluções para o estado de “desorganização” então existente.
No início do século XIX, a Europa, torna-se visivelmente uma sociedade industrial. Mas, industrialização como se sabe não produz apenas proveitos, a miséria e o desemprego também são seus frutos. O quadro social que se instaura é dramático, no qual o desemprego e a fome multiplicam-se, engrossando, assim, o número de despossuídos, miseráveis e marginalizados. É bastante comum nessa época, a utilização intensiva da força de trabalho “barato” de mulheres e crianças, uma desordenada migração do campo para a cidade, gerando problemas de habitação, de higiene, aumento das taxas de alcoolismo, de prostituição e de mortalidade infantil.
Na França – que durante o período revolucionário pôde iniciar uma política científica comandada por alguns matemáticos, físicos e químicos – passava por um processo bastante turbulento que durou quase todo o século XIX. Napoleão Bonaparte, no plano político, contudo, produziu algumas reformas que permaneceram e auxuliaram o país a manter seu status econômico em meio a guerras e revoltas. Dentre elas, a reforma da educação trouxe sua universalização sob o comando do Estado, o qual fez espalhar por todo o território escolas primárias e liceus onde a ciência passou a ter importância significativa na formação de crianças e jovens, principalmente nos aspectos do comportamento moral, político e social.
Determinados pensadores da época estavam imbuídos da crença de que para introduzir uma “higiene” na sociedade, para “reorganizá-la”, seria necessário fundar uma nova ciência. Durkheim, certa vez disse: “esta ciência (sociologia) surge com interesses práticos e não como que por encanto”.
A sociologia positivista, nasce como uma jovem ciência ao assumir como tarefa intelectual repensar o problema da ordem social, enfatizando a importância das instituições que segundo eles desempenham papéis fundamentais na integração e na coesão da vida social.




2.      Leia o trecho abaixo, em seguida responda a questão.

“[Para Dürkheim] (...) a sanção não tem a função de amedrontar ou de dissuadir; seu sentido não é este. A função do castigo é satisfazer a consciência comum, ferida pelo ato cometido por um dos membros da coletividade. Ela exige a reparação e o castigo do culpado é a reparação feita aos sentimentos de todos”.
(Aron, R. As Etapas do pensamento sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 2000, p. 293)

a) A partir dos conceitos de fato social e consciência coletiva, justifique o trecho acima.

Durkheim via o crime e os desvios de conduta como fatos sociais; acreditava que ambos fossem elementos inevitáveis e necessários para a sociedade, preenchendo duas funções importantes. Primeiramente o desvio possui uma função adaptável. Ao introduzir novas idéias e desafios a sociedade, o desvio age como uma força inovadora, que gera mudanças. Em segundo lugar, o desvio de conduta promove a manutenção social, ou melhor, reforça a consciência coletiva ao provocar um sentimento comum de ódio contra os transgressores esclarecendo as normas sociais aceitáveis para a sociedade.


b) O trecho faz referência a um estado saudável ou doentio? Justifique.
O trecho faz referência a um estado saudável também conhecido como normalidade.
A normalidade e a patologia são denominações de Dürkheim para condições em que se encontra a sociedade em relação ao seu quadro atual de regras. Partindo do pressuposto que o respeito às regras morais comuns à média dos indivíduos de uma mesma sociedade é a condição de existência de corpos sociais, a normalidade seria, então, representada pela confirmação por parte da população da validade dessas regras. Em outras palavras, a manutenção da crença da sociedade na justeza dos padrões morais que constituem a consciência coletiva corresponde à saúde social. Dessa forma, por mais que atos odiosos provoquem algum tipo de trauma social, o simples fato de levarem o coletivo a ratificar a consciência coletiva, nos coloca diante de um fato social normal. Aliás, tais atos só são odiosos porque as pessoas preservam seu bom senso e suas noções de justiça.
Já um fato social patológico, o que não se encontra no trecho, é aquele que coloca em risco a vida da sociedade ao quebrar seu consenso. Sua manifestação é rara e passageira, produzindo-se em taxas insuportáveis para a sociedade. Mas, ainda assim, os fatos patológicos podem ter alguma utilidade, sobretudo quando deixam como herança a imunização da sociedade contra novas crises, o reforça de algumas instituições ou o progresso social.



3.
Diferencie a concepção de sociedade e o papel do indivíduo para os clássicos da sociologia.


:: Indivíduo & Sociedade ::

Marx
* Só tem sentido falar em indivíduo dentro de uma classe social.
* A Sociedade é formada por classes sociais. (Infra-estrutura & Superestrutura).


Durkheim
* Sociedade é o local, no qual um conjunto de fatos sociais se inter-relacionam como reflexo da consciência coletiva. O todo é mais que a soma das partes.
* Os Indivíduos nas sociedades complexas possuem maior consciências individuais, entretanto, são orientados pelas imposições da consciência coletiva.

Weber
Sociedade: é a concretização das ações sociais, como um conjunto de motivações históricas que tenha sentido para os indivíduos.
Indivíduo: Orientam suas condutas (ações sociais) por sentidos e motivos subjetivos. Os indivíduos são responsáveis pela construção da realidade histórica.



4.
Explicite a diferença e as conseqüências entre a concepção dos clássicos da sociologia a respeito da divisão do trabalho.


:: A Divisão do Trabalho ::

Marx
* A divisão social do trabalho afasta os indivíduos do conhecimento total sobre o processo produtivo. A visão fragmentada, decorrente desse processo, leva o homem a alienação no trabalho produzindo a mais-valia na esfera da produção e nas relações sociais cotidianas é representada pelo fetichismo da mercadoria.


Durkheim
* A divisão do trabalho social cria uma forte interdependência entre os indivíduos aumentando a solidariedade e, assim, a coesão social. Nas sociedades complexas com alto grau de divisão do trabalho social a solidariedade é do tipo Orgânica.

Weber
* Mesmo sendo produto da racionalidade humana, a divisão do trabalho tem como conseqüência direta a burocracia. Construindo relações sociais na legitimidade da dominação racional-legal.



5.
Como o conceito de anomia de Dürkheim pode ser aplicado a realidade educacional brasileira.

A realidade educacional é um sistema normativo que fornece as diretrizes para as condutas socialmente aceitáveis no tecido social e caso essas maneiras de ser, pensar e agir imposta pela educação não seja suficiente para gerar laços de integrados estaríamos numa situação de anomia.
Esses espaços vazios deixado pelo sistema normativo acabam exacerbando para além do aceitável algo que já é uma característica de sociedades diferenciadas em grande escala. É que nelas a margem de arbítrio individual aumenta, em contraste com as formas de orientação normativa relativamente fechadas dos grupos menores e mais simples.
Difícil, claro, é a manutenção do delicado equilíbrio entre níveis de abertura dos sistemas normativos e sua desarticulação a ponto de deixar grupos inteiros de membros da sociedade à deriva, numa situação que Durkheim, em termo um tanto exacerbado, considerava de ausência de regras, de "anomia". Por este ângulo chega-se ao que é provavelmente a vertente mais explorada do pensamento durkheimiano.


6.
Desenvolva o esquema analítico weberiano conceituando ação social, sentido, compreensão, motivo, relação social e o tipo ideal.


Esquema analítico de Weber

Weber definiu-se como sociólogo numa etapa já bastante avançada da sua carreira. Numa carta ao economista Robert Liefmann:

“se agora sou sociólogo então é essencialmente para pôr um fim nesse negócio de trabalhar com conceitos coletivos. Em outras palavras: a Sociologia somente pode ser implementada tomando-se como ponto de partida a ação do indivíduo ou de um número maior ou menor de indivíduos, portanto de modo estritamente individualista quanto ao método”.

É claro que a Sociologia trata de fenômenos coletivos, cuja existência não ocorreria a Weber negar. O que ele sustenta é que o ponto de partida da análise sociológica só pode ser dado pela ação de indivíduos e que ela é “individualista” quanto ao método.
Na ausência dos atalhos oferecidos pela referência direta a entidades coletivas, ele necessita ir construindo passo a passo um esquema coerente e - internamente consistente que permita ao sociólogo operar com segurança com conceitos como, por exemplo, o de Estado, sem atribuir a essa entidade qualquer realidade substantiva fora das ações concretas dos indivíduos pertinentes.
         É isso que ele busca fazer, sobretudo no seu livro em Economia e sociedade.
         Passemos então a uma reconstrução sumária dos conceitos fundamentais envolvidos nessa obra e da articulação entre eles. Cumpre, portanto, examinar o esquema analítico weberiano, o qual possui a seguinte seqüência conceitual: ação social, sentido, compreensão, agente individual, tipo ideal, relação social, legitimação e dominação.


I. Sociologia:
 Deve-se entender por sociologia: “uma ciência que pretende compreender interpretativamente a ação social e assim explicá-la causalmente em seu curso e em seus efeitos” ou ainda, a sociologia compreensiva procura captar (objetivamente) as ações humanas e seus sentidos.
A sociologia é uma ciência voltada para a compreensão e para a interpretação das ações sociais. A Sociologia é basicamente o estudo da ação social orientada para a conduta dos outros.


II. Ação Social:
É uma modalidade específica da ação, ou seja, é uma conduta humana (que pode consistir num ato externo ou interno; numa condição ou numa permissão) em que o próprio agente associa um sentido a sua ação, desde que a ação seja orientada conforme a conduta dos outros e em consonância com eles. A “ação social”, portanto, é uma ação em que o sentido indicado por seu sujeito, refere-se à conduta de outros, orientando-se por esta em seu desenvolvimento.
         É toda conduta humana em que o próprio agente associa um sentido a sua ação, desde que a ação seja orientada conforme a conduta dos outros e em consonância com eles.  Para que isso se torne inteligível é preciso ver o que Weber entende por “sentido”.


III. Sentido:
Por sentido deve-se entender o sentido subjetivamente visado, isto é, aquele que se manifesta em ações concretas e que envolve um motivo, o qual é sustentado pelo agente como fundamento da sua ação.
         Cuidado!!!  Não se trata, de modo algum, de um sentido fixo, objetivamente correto.


IV. Motivo:
 Observe, o conceito de “motivo” permite estabelecer uma ponte entre sentido e compreensão. Talvez fique mais claro...
Existem variados sentidos subjetivamente visados, dado as diferentes bases culturais em que vivem os diversos indivíduos, porém, o mais relevante para se atingir a compreensão da realidade é perceber que há um motivo orientando a ação de todo e qualquer indivíduo. Saber recuperar o significado desse motivo permite-nos compreender essa ação. A reconstrução do motivo é fundamental porque, da perspectiva do agente, o motivo figura como causa da ação.
         A preocupação não é com a origem da ação (sentido subjetivamente visado) e sim com o motivo (fim objetivamente visado pelo agente). O motivo é fundamento de toda ação social.


[Método Compreensivo]
V. Compreensão:
Em que medida a compreensão é um processo seguro, capaz de interpretar a realidade?
Com a utilização desse método Weber assume uma postura crítica frente à sociologia positivista. Ao utilizar o método compreensivo Weber não pretende reproduzir ou classificar uma ordem objetiva já dada, mas, atribuir uma interpretação aos aspectos selecionados da realidade que se apresentam à experiência como múltiplos e infinitos e, portanto, impossíveis de serem apreendidos fora de uma análise histórica como pretendia Durkheim. 
         A compreensão do comportamento social atinge tanto intelectualmente quanto por empatia: Intelectualmente, se o comportamento for racional (por valor ou por fim), por meio do reconhecimento da lógica dos meios e das relações; Por empatia, se o comportameno for irracional (tradicional ou afetivo), por meio da projeção de si próprio na situação e na experiência do contexto emocional.

VI. Agente Individual:
É a única entidade capaz de conferir sentido às ações sociais. Por outro lado, os agentes e os sentidos não podem ser incorporados á análise científica tal como se apresentam uma vez que se mostram como diversificados processos que se mesclam de todas as maneiras.
         Então, por que determinadas práticas se mantêm se os agentes são múltiplos?
Então, como os sentidos subjetivamente visados de cada agente são incorporados à analise cientifica?


VII. Tipo Ideal:
Sem um rigor conceitual não há ciência digna desse nome.
Foi para solucionar esse problema que Weber construiu um elemento de orientação na realidade que permite a formulação de hipóteses, o tipo ideal. Este serviria como guia para o pesquisador, nesse sentido, o tipo ideal só existe como abstração e não é, e nem pretende ser um reflexo ou uma repetição da realidade.


VIII. Relação Social:
Pelo fato de existir uma regularidade de condutas de caráter social precisamos entender o desdobramento do conceito de ação social, o de relação social, o qual deve ser visto como uma conduta plural (de várias pessoas) reciprocamente orientada. Lembre-se, não há garantia prévia de ocorrência de qualquer relação social.
         Quando o sentido de uma ação é compartilhado por outro ou outros (tanto pode ser por apenas dois, em presença direta; quanto por um grande número e sem contato entre si no momento da ação) temos então, uma Relação Social.

Exemplo:
A amizade é uma relação social, porque envolve um conteúdo de sentido capaz de orientar regularmente a ação de cada indivíduo em relação a múltiplos outros possíveis e que portanto se manifesta sempre que as ações correspondentes são realizadas (por isso mesmo podemos designar esse conteúdo de sentido pelo termo genérico “amizade”). Claro que a amizade, como qualquer relação social, não existe senão quando se traduz em condutas efetivas. E, como não há garantia prévia de que isso se dê, a ocorrência de qualquer relação social só pode ser pensada em termos de probabilidade, que será maior ou menor conforme o grau de aceitação do conteúdo do sentido da ação pelos seus participantes.


IX. Legitimação:
Este é um tipo especial de relação social capaz de permitir o exercício de certos atos, uma vez preenchidos os requisitos legais. O sentido de legitimidade é incorporado pelos agentes como uma regra orientadora de suas condutas na medida em que é aceito como legítimo.


X. Dominação:
 Toda relação autêntica de dominação sobre uma pluralidade de homens requer um certo mínimo de vontade de obedecer, isto é, uma relação provável de obediência por parte dos dominados. Para ter sucesso nesta operação é essencial que os dominantes possuam legitimidade frente aos dominados, ou seja, todos dominantes procuram despertar e cultivar a crença em sua legitimidade. 




7.
Como Weber caracteriza o tipo ideal de espírito capitalista? Como esse espírito foi desenvolvido pela ética protestante?


The Protestant Ethic and the Spirit of Capitalism

É o livro mais famoso e polêmico de Max Weber. Nele, Weber apontou a influência das idéias religiosas sobre a conduta dos homens e contestou a tese marxista de que a consciência do indivíduo é determinada por sua classe social.

A ética protestante e o “espírito” do capitalismo aborda temas de fundamental importância para compreendermos como se formou a civilização ocidental moderna. No início da obra o autor investiga os princípios éticos que estão na base do capitalismo, constituindo o que ele denomina “espírito”.

Weber procura saber porque nos países de confissão protestante há um maior desenvolvimento capitalista bem como uma maior proporção de protestantes entre os proprietários do capital, empresários e integrantes das camadas superiores de mão-de-obra qualificada.

Veja o que Weber escreveu no primeiro parágrafo do seu livro: “Basta uma vista de olhos pelas estatísticas ocupacionais de um país de composição religiosa mista, para constatar a notável freqüência de um fenômeno que já tem provocado repetidas discussões na imprensa e na literatura católicas bem como nos congressos católicos da Alemanha: o fato de os líderes do mundo dos negócios e proprietários do capital, assim como os níveis mais altos de mão-de-obra qualificada, serem preponderantemente protestantes”.

A partir dessa afirmação, Weber coloca uma série de hipóteses referentes a fatores que poderiam explicar o fato. E descobre que valores do protestantismo — como a disciplina ascética, a poupança, a austeridade, a vocação, o dever e a propensão ao trabalho — atuavam de maneira decisiva sobre os indivíduos.

Família
No seio das famílias protestantes, os filhos eram criados para o ensino especializado e para o trabalho fabril, optando sempre por atividades mais adequadas à obtenção do lucro, preferindo o cálculo e os estudos técnicos ao estudo humanístico, Weber mostra a formação de uma nova mentalidade, um ethos  propício ao capitalismo, em flagrante oposição ao “alheamento” e à atitude contemplativa do catolicismo.


Trabalho árduo
O homem deve trabalhar bem em sua ocupação remunerada não apenas porque tem de fazê-lo, mas porque o deseja; é um sinal de sua virtude e uma fonte de satisfação pessoal: “É uma obrigação que o indivíduo deve se sentir e efetivamente sente com relação ao conteúdo de sua atividade ocupacional, não importa em que consiste ela”.

O linguajar norte-americano reflete esse sentido de obrigação na expressão: “o que quer que valha a pena fazer, vale a pena fazer bem feito”. Essa expressão representa o moderno “espírito do capitalismo”.


Fazendo um Link

Lutero
Para Martin Lutero (1483-1546), trabalhar seria a tarefa confiada por Deus aos homens e a riqueza, uma graça concedida àqueles que trabalham arduamente. Segundo Lutero, o homem deveria encontrar uma vocação profissional, estabelecer vínculos sociais e não se abandonar à vida contemplativa, como os inúteis monges católicos. Weber, citando Lutero, diz que a valorização moral da vida profissional foi uma das ''mais difíceis tarefas a serem cumpridas pela Reforma''.

Calvino
Johannes Calvino (1509-1564) reformulou a teoria da predestinação como explicação para a vida terrena. Segundo Calvino, Deus, em sua infinita sabedoria, já escolhera aqueles destinados ao céu e os condenados ao inferno. O escolhido, assim como o condenado, em nada se distinguia. Porém, os escolhidos possuíam no sucesso profissional e no enriquecimento o sinal para a vida eterna e estariam, assim, condenados a viver para o trabalho.


Protestantismo
Com o objetivo de relacionar as idéias religiosas fundamentais do protestantismo com as máximas da vida econômica capitalista, Weber analisa alguns pontos fundamentais da ética calvinista, como a afirmação de que “o trabalho constitui, antes de mais nada, a própria finalidade da vida”.

Muito mais que Lutero, Calvino levou ao extremo a noção de que o homem é salvo por desígnio insondável de Deus. Assim, nenhum homem mereceria a graça da salvação porque ninguém seria digno dela. Ora, a salvação não existiria para a felicidade humana, mas somente para a glória de Deus. Dessa forma, o Calvinismo teria surgido inteiramente impregnado da idéia de mesquinhez e de pobreza total do homem perante Deus.

Predestinação
Segundo Weber, a solidão espiritual e a incerteza da salvação pessoal eram dificilmente suportáveis para a grande massa dos fiéis. A aceitação da predestinação exigia a máxima pureza no amor a Deus e uma fé sem limites. Portanto, concluiu Weber, era normal que os calvinistas tirassem uma lição teológica e moral mais aceitável da sua doutrina. Desse modo, por um paradoxo apenas aparente, a doutrina de Calvino, centrada sobre a glória de Deus e sobre-a graça da salvação, empenharia o crente na atividade temporal e econômica com mais vigor do que qualquer outra crença ou religião.

Com efeito, se o fiel não podia saber se seria eleito ou condenado, pelo menos estava certo de que Deus não haveria de escolher os eleitos entre os que pecavam. Conseqüentemente, excluía de sua vida qualquer forma de fraqueza humana. Voltava sua conduta para a  dignidade, o autodomínio, a seriedade, pois não contava com os sacramentos nem com a acumulação de boas obras para se salvar. O fiel calvinista estava convencido de que todo aquele que praticasse esse tipo de ascetismo durante toda a vida, se não chegasse a alcançar a salvação, poderia pelo menos ganhar certa convicção de que acabaria por ser salvo. Por outro lado, não agindo dessa maneira poderia deixar de lado qualquer esperança de salvação.

Ascetismo – desvalorização dos prazeres mundanos e carnais!!!
Em verdade, o ascetismo moral conduzia à obrigação do trabalho como a conduta ética oposta à preguiça, à ociosidade e à leseira, comportamentos considerados pecados graves por negarem a edificação ao Reino de Deus. Ora, todos os crentes deveriam contribuir para a edificação do Reino de Deus, desempenhando sempre suas funções com seriedade e eficácia. Mas, para contribuírem para “maior glória de Deus”, o trabalho não podia ser realizado como uma tarefa qualquer teria que ser bem feito e efetivamente produtivo, ou seja, que servisse para fins úteis. E mais: devia ser contínuo.

O calvinista fiel a sua crença deveria evitar o luxo e a avareza, não deveria ser esbanjador nem distribuir em partes aquilo que ganhar (pão duro!), mas, empregar suas riquezas em novas atividades produtivas. A doutrina de Calvino considera o homem apenas administrador dos bens deste mundo; um administrador que, segundo as Escrituras, deve fazer que os bens do mundo (“o Reino de Deus”) dêem frutos.

Calvinismo
Por fim, segundo o Calvinismo a ciência, especialmente a ciência experimental, era uma forma de conhecer as obras de Deus. Todo crente devia ter instrução suficiente para ler a Palavra de Deus. E, sempre que fosse possível, devia também se instruir no campo das ciências naturais, pois estas revelavam a grandeza e a sabedoria de Deus através de suas obras. Tais revelações eram revestidas de grande importância porque, conhecendo as obras de Deus, o calvinista as devia aplicar em seu próprio trabalho, a fim de torná-lo ainda mais eficaz e útil.

Ora, esse ascetismo ético acarretaria conseqüências práticas de grande relevo. Os moralistas puritanos desconfiavam do efeito danoso do dinheiro, mas seus preceitos empenhavam os fiéis numa vida de trabalho e de poupança que os faziam enriquecer progressivamente. O enriquecimento se fazia dentro dos limites de uma conduta que rejeitava toda forma de pensamento mágico e sublinhava a importância do autocontrole. Paralelamente, o conhecimento científico e a atitude aberta ante a pesquisa experimental predispunham os fiéis à “organização racional da vida, do trabalho e de todos os empreendimentos”.

Comportando-se dessa forma o Calvinismo coloca-se em situação diametralmente oposta à da vida feudal, em que reinava a prodigalidade e a preguiça. Sua identidade manifestou-se por um perfil muito próximo do exibido pela mentalidade do empresário e do burguês negociante. Em conseqüência, os locais em que o Calvinismo se enraizava logo registravam intensa atividade econômica, de tipo capitalista.




8.
Conceitue poder e dominação, procurando explicar e diferenciar os tipos puros de dominação.

Uma das questões colocadas à Sociologia é a que se refere à persistência das relações sociais. O que pode levar a que o conteúdo dessas relações ou elas próprias se mantenham? Dito de outro modo, o que faz com que os indivíduos dêem às suas ações um sentido determinado que perdure com regularidade no tempo e no espaço? Qual é a base da regularidade nas ações das pessoas se o que lhes dá sentido não é uma instituição abstrata?

Uma vez que Weber entende que o social constrói-se a partir das ações individuais, cria-se um problema teórico: como é possível a continuidade da vida social? A resposta para tais questões encontra-se no fundamento da organização social, chave do verdadeiro problema sociológico: a dominação ou a produção da legitimidade, da submissão de um grupo a um mandato. É fundamental então distinguir os conceitos de poder e dominação.

PODER significa a probabilidade de impor a própria vontade dentro de uma relação social, mesmo contra toda a resistência e qualquer que seja o fundamento desta resistência”.

DOMINAÇÃO é a probabilidade de encontrar obediência a uma ordem de determinado conteúdo, entre determinadas pessoas indicáveis.”

O conceito de poder é, do ponto de vista sociológico, amorfo já que “significa a probabilidade de impor a própria vontade dentro de uma relação social, mesmo contra toda a resistência e qualquer que seja o fundamento dessa probabilidade”. Portanto, não se limita a nenhuma circunstância social específica, dado que a imposição da vontade de alguém pode ocorrer em inúmeras situações.
A probabilidade de encontrar obediência dentro de um grupo a um certo mandato toma os conceitos de dominação e de autoridade de interesse para a Sociologia já que possibilitam a explicação da regularidade do conteúdo de ações e das relações sociais.

No outro pólo da relação de DOMINAÇÃO, há o sujeito sob quem pesa o poder e que nele reside uma certa probabilidade de obediência ou aceitação do poder. Pode-se dizer, nesta matriz do pensamento social, que a dominação que se estabelece entre os indivíduos, em suas relações sociais, é legitima porque é, de alguma forma, aceita. Para que uma tal relação de dominação possa perdurar no tempo “é mister que os homens dominados se submetam à autoridade dos que dominam em cada caso. Quando e porque o façam, só se pode compreender quando se conhecem os motivos internos de justificação e os meios externos nos quais a dominação se apóia”.

A dominação é sempre resultado de uma relação social de poder desigual, em que se perceba a existência de um lado que comanda (domina) e outro que obedece. As relações de dominação dentro de uma sociedade se caracterizam por buscar formas de legitimação, de serem reconhecidas como necessárias para a manutenção da ordem social.

Weber elabora “três tipos puros de dominação legítima”, que são classificados como puros porque só podem ser encontrados isolados no nível da teoria. Quando observados em exemplos concretos apresentam-se combinadamente.

Três tipos puros de dominação legítima: a legal, a tradicional e a carismática.

Dominação tradicional: “ontem eterno”
 
A dominação tradicional se especifica por encontrar legitimidade na validade das ordenações e poderes de mando herdados pela tradição. Os que exercem a dominação estão determinados pela tradição, pela autoridade do ontem eterno. Os dominados não são membros de uma associação, mas companheiros ou súditos do senhor. Pode haver ou não quadro administrativo. As relações do quadro administrativo (quando existe um) com o soberano não são determinadas pelo dever do cargo, mas pela fidelidade pessoal. Não se obedece a uma ordem estatuída, mas à pessoa delegada pela tradição. As ordens são legitimas em parte pela força da tradição, em parte pelo arbítrio do soberano em interpretar essa tradição.

em virtude da crença na santidade das ordenações e dos poderes senhoriais de há muito existentes. Seu tipo mais puro é o da dominação patriarca. A associação dominante é de caráter comunitário. O tipo daquele que ordena é o ‘senhor’ e os que obedecem são ‘súditos’, enquanto que o quadro administrativo é formado por ‘servidores’. Obedece-se à pessoa em virtude de sua dignidade própria santificada pela tradição: por fidelidade. O conteúdo das ordens está fixado pela tradição, cuja violação desconsiderada por parte do senhor poria em perigo a legitimidade do seu próprio domínio, que repousa exclusivamente na santidade delas.

Dominação carismática: “dom da graça”

A dominação carismática se especifica por encontrar legitimidade no fato de que a obediência dos dominados é uma obediência ao carisma e ao seu portador. Carisma é a qualidade extraordinária de uma personalidade considerada sobrenatural, sobre-humana ou mágica. A obediência é obediência ao líder enquanto portador de carisma. A administração se dá sem qualquer quadro racional, sem regras fixas, hierarquia ou competências. Simplesmente o chefe carismático cria ou anuncia novos mandamentos (direitos, normas, punições, etc) pela “revelação” ou por sua vontade de organização.

em virtude de devoção afetiva à pessoa do senhor e a seus dotes sobrenaturais (carisma) e, particularmente: a faculdades mágicas, revelações ou heroísmo, poder intelectual ou de oratória. O sempre novo, o extracotidiano, o inaudito e o arrebatamento emotivo que provocam constituem aqui a fonte de devoção pessoal. Seus tipos mais puros são a dominação do profeta, do herói guerreiro e do grande demagogo.
O tipo que manda é o líder. O tipo que obedece é o ‘apóstolo’. Obedece-se exclusivamente à pessoa do líder por suas qualidades excepcionais e não em virtude de sua posição estatuída ou de sua dignidade tradicional; e, portanto, também somente enquanto essas qualidades lhe são atribuídas, ou seja, enquanto seu carisma subsiste. Por outro lado, quando é ‘abandonado’ pelo seu deus ou quando decaem a sua força heróica ou a fé dos que crêem em suas qualidades de líder, então seu domínio também se torna caduco.
O quadro administrativo é escolhido segundo carisma e vocação pessoais, e não devido à sua qualificação profissional (como o funcionário), á sua posição (como no quadro administrativo estamental) ou à sua dependência pessoal, de caráter doméstico ou outro (como é o caso do quadro administrativo patriarcal). Falta aqui o conceito racional de ‘competência’ assim como o estamental de ‘privilégio’. São exclusivamente determinantes da extensão da legitimidade do sequaz designado ou do apóstolo a missão do senhor e sua qualificação carismática pessoal.
A administração - na medida em que assim se possa dizer - carece de qualquer orientação dada por regras, sejam elas estatuídas ou tradicionais. São características dela, sobretudo, a revelação ou a criação momentâneas, a ação e o exemplo, as decisões particulares, ou seja, em qualquer caso - medido com a escala das relações estatuídas - o irracional.”


Dominação racional-legal: burocratização

A dominação racional-legal se especifica por encontrar legitimidade no direito estatuído de modo racional, com pretensão de ser respeitado pelos membros da associação. O direito racional é um conjunto abstrato de regras a serem aplicadas em casos concretos. A administração racional supõe cuidar dos interesses da associação, nos limites da lei. O soberano está sujeito á lei. Há uma ordem de caráter impessoal. Quem obedece, não obedece à pessoa do soberano, mas obedece ao direito e o faz como membro da associação.
Das três formas de dominação, aquela que apresenta um caráter racional ou planejado é a legal. Ela se expressa em qualquer ambiente em que algum sujeito ocupa uma posição de destaque em virtude de sua competência comprovada e testada por algum concurso. O aprovado recebe do estatuto o direito de impor sua vontade a outros que, ocupando posições de menos status, acatam regularmente as orientações hierarquicamente dadas.
A racionalidade se externa tanto no processo de montagem da hierarquia (através de critérios objetivos se premia o concursado, sem pesar qualquer laço afetivo ou familiar, típico do comportamento corrupto) quanto no estabelecimento das funções (visto que os melhores ocuparam os cargos a que tem competência). E há, para Weber, uma tendência à racionalização das ações, relações e formas de dominação sociais. Isto se deve ao processo inaugurado pela ética protestante que, ao vincular a salvação religiosa com o sucesso econômico, estabeleceu critérios objetivos em que os fiéis devem se guiar para alcançar o reino dos céus. Por isso, no longo prazo, as formas de dominação carismática e tradicional, tendem a ser substituídas pela forma legal. O exercício da autoridade racional depende de um quadro administrativo hierarquizado e profissional, “separado” do poder de controle sobre os meios de administração. Por força da tendência à racionalização, as profissões públicas ou privadas deixariam, gradativamente, outras influências como a amizade e a parentela, para se guiarem por objetivos claros e previamente definidos. A isto Weber á o nome de burocracia. A administração racional se caracteriza, tipicamente, pela existência de uma burocracia.

“O tipo ideal do burocrata seria o indivíduo que age em cooperação com outros, cujo oficio é separado de sua vicia familiar e pessoal, regulamentado por mandatos e pela exigência de competência, conhecimento e perícia. A organização burocrática é hierárquica, e o recrutamento e a ascensão se dão com base em concursos e outros critérios objetivos. A burocracia organiza a dominação racional-legal por meio de uma incomparável superioridade técnica que garante precisão, velocidade, clareza, unidade, especialização de funções, redução de atrito, dos custos de material e pessoal etc”.

Por isso, deixam de existir nos negócios: “o amor, o ódio e todos os elementos sensíveis puramente pessoais, todos os elementos irracionais que fogem ao cálculo”.

Em regime de concorrência e submetidos a testes de comprovação de competência, os indivíduos vivem um processo intenso de seleção. Cujos critérios não se aproximam da aptidão biológica do darwinismo social, mas são sociais e historicamente construídos. Estamos diante, no mundo capitalista, de um processo de seleção social.

É neste ambiente que se insere o Estado moderno para Weber. Ele representaria um conjunto de instituições cuja carne seria essencialmente burocrática. Aparelhos produtores de políticas públicas calcadas em projetos e atos previamente planejados sob o limite de uma legislação que determinaria a cada funcionário e instituição seu papel. Um aparato institucional responsável por regular as relações sociais, que utiliza para tanto o monopólio da norma jurídica (ou a capacidade absolutamente sua de formular, alterar e retirar leis) e monopólio da violência.

O Estado é o único agente cuja violência é admitida legalmente. Ele retira da sociedade civil o direito de usá-la sem sua conivência, destinando para alguns momentos especiais esta possibilidade, mas em última instância ele é o guardião da lei e da violência. Invasão de propriedade e limitação das liberdades individuais só podem ser realizadas por oficiais do Estado (policiais), legalmente amparados, que exercerão sobre os cidadãos comuns a dominação legal.



9.
Defina o que é Estado Moderno para os clássicos da sociologia.


::O ESTADO::

Marx
* O Estado é a representação da classe dominante. Um instrumento criado pela Burguesia.

Durkheim
* O Estado é a representação da consciência coletiva.
* É a instituição da disciplina moral que vai orientar a conduta dos homens.

Weber
* Por Estado se deve entender uma empresa institucional de caráter político, na qual - e na medida em que - o aparelho administrativo consegue monopolizar a coerção física legítima, em vista do comprimento da lei.
* Para que os dominados obedeçam é necessário que os detentores do poder possuam uma autoridade reconhecida como legítima.




10.
Disserte sobre o conceito de desencantamento do mundo para Max Weber e estabeleça a relação com o comportamento brasileiro.

Se pudéssemos compreender toda a complexidade weberiana em uma única idéia, esta seria sem sombra de dúvida: a racionalidade.
Weber entendeu que o fenômeno da racionalidade era de fundamental importância para a compreensão do mundo moderno, definindo-o como fundamento principal do modo de vida da sociedade ocidental contemporânea, visto que, em nenhum outro lugar a ciência buscou o controle do conhecimento de forma tão racional, sistemática e especializada.
         Weber vê a racionalidade aplicada a todas as esferas da sociedade moderna, por exemplo: na economia; a qual é utilizada pelos empresários no processo de produção das técnicas de gestão (racionais); na ciência, com os progressos das descobertas, que fazem recuar as interpretações mágicas ou religiosas do mundo. Assim, percebe a racionalização como fonte de desencantamento do mundo. Assinala que a racionalização e a intelectualização despojou do mundo o encantado por deuses e seres mágicos e deu no lugar um mundo racionalizado e material, guiado pela ciência.

  • O trabalhador e o aventureiro são tipos ideais. É uma metodologia sociológica para desvendar a mentalidade, a essência do brasileiro. São tipos sócio-psicológicos com éticas distintas. Entre esses dois tipos não há oposição absoluta ou incompreensão radical. Só existem no mundo das idéias, não são encontrados em estado puro. São extensões supraindividuais.

  • O aventureiro (Ibérico) é o homem do espaço e seus valores, como a audácia, a imprevisão, a irresponsabilidade, a instabilidade e a vagabundagem correspondem a uma concepção espacial do mundo.

  • O trabalhador (Europeu do Norte) valoriza a estabilidade, a paz, a segurança pessoal, o esforço sem perspectiva de proveito material imediato, com uma concepção temporal do mundo.

  • Trabalhador tem o ethos capitalista, oriundo da ética protestante.
>> A ética protestante se peculiariza por exaltar o "trabalho" como um meio de aproximação do homem para com Deus. Além disso, a vocação para o trabalho secular é vista como expressão de amor ao próximo.
>> É aquele que enxerga primeiro a dificuldade a vencer,    não o triunfo a alcançar.

  • Aventureiro é fruto da ética católica.
         >> “Seu ideal será colher os frutos sem plantar a árvore”
         >> “Esse tipo humano ignora fronteiras”
         >> Recompensa imediata.

  • O aventureiro se caracteriza pela audácia, instabilidade e imprudência e imediatismo (capitalismo não racional).
§         A ausência da moral do trabalho se ajustaria bem a uma reduzida capacidade de organização social. Nesse sentido, no contexto político brasileiro só foi possível se pensar num princípio unificador através de governos fortemente centralizados.
§         O gosto pela aventura foi o elemento orquestrador de nossa colonização, apesar de ser a nossa fraqueza. Adaptabilidade do português às condições e costumes locais. Plasticidade social: ausência de orgulho de raça. Dissonâncias raciais, morais e sociais mais acolhidas.
§         Personalismo: ausência de racionalismo.
§         Ligações pessoa a pessoa são os mais decisivos. >> centralidade da célula familiar.
§         Autoridade tradicional, consagrada pelo costume e pela opinião (modelo weberiano).
§         Singularidade brasileira: acentuação do afetivo, do irracional, do passional. Estagnação ou atrofia das qualidades ordenadoras, disciplinadoras, racionalizadoras. (Ex.: coronelismo).

Esse aventureiro despertou o que o Sérgio Buarque de Holanda chamou de “homem Cordial” que pode ser sintetizado QUATRO características do tipo ideal:

a.                          Possui enorme aversão ao ritualismo social, ao formalismo, ao cumprimento rigoroso dos horários e às regras muito rígidas. Prefere negociá-las, atravessá-las e remoldá-las.
b.                          Usa com freqüência o diminutivo em seu vocabulário para conseguir familiaridade ou proximidade.
c.                           Sendo assim, demonstra seu horror à distância, preferindo o calor humano. Isso pode ser ilustrado pela resistência em chamar seus pares pelo sobrenome. Com efeito, seu horror às distâncias encaixa-se perfeitamente pela obsessão pela “amizade”.
d.                          Por fim, mergulha, com regularidade, numa religiosidade de superfície, sem conhecimento adequado do dogma, dos escrito, da liturgia. Portanto, prefere a pompa do cerimonial ao seu sentido.




11.
Explicite o método materialista histórico e dialético de Karl Marx.

O materialismo histórico não é mais do que a aplicação dos princípios do materialismo dialético ao campo da história. e, como o próprio nome indica, é a explicação da história por fatores materiais, ou seja, econômicos e técnicos.
Marx inverte o processo do senso comum que pretende explicar a história pela ação dos "grandes homens", ou, às vezes, até pela intervenção divina. Para o marxismo, no lugar das idéias, estão os fatos materiais; no lugar dos heróis, a luta de classes.
Em outras palavras, o que Marx explicitou foi que, embora possamos tentar compreender e definir o homem pela consciência, pela linguagem, pela religião, o que fundamentalmente o caracteriza é a forma pela qual reproduz suas condições de existência.
Portanto, para Marx, a sociedade se estrutura em níveis.
O primeiro nível, chamado de infra-estrutura, constitui a base econômica (que é determinante, segundo a concepção materialista). Engloba as relações do homem com a natureza, no esforço de produzir a própria existência, e as relações dos homens entre si. Ou seja, as relações entre os proprietários e não-proprietários, e entre os não-proprietários e os meios e objetos do trabalho.
O segundo nível, político-ideológico, é chamado de superestrutura. É constituído:
  1. pela estrutura jurídico-política representada pelo Estado e pelo direito: segundo Marx, a relação de exploração de classe no nível econômico repercute na relação de dominação política, estando o Estado a serviço da classe dominante.
  2. pela estrutura ideológica referente às formas da consciência social, tais como a religião, as leis, a educação, a literatura, a filosofia, a ciência, a arte etc. Também nesse caso ocorre a sujeição ideológica da classe dominada, cuja cultura e modo de vida reflete as idéias e os valores da classe dominante.
Vamos exemplificar como a infra-estrutura determina a superestrutura, comparando valores de dois diferentes períodos da história.
A moral medieval valoriza a coragem e a ociosidade da nobreza ocupada com a guerra, bem como a fidelidade, que é a base do sistema de suserania e vassalagem; do ponto de vista do direito, num mundo cuja riqueza é a posse de terras, considera-se ilegal (e imoral) o empréstimo a juros. Já na Idade Moderna, com o advento da burguesia, o trabalho é valorizado e, consequentemente, critica-se a ociosidade; também ocorre a legalização do sistema bancário, o que exige a revisão das restrições morais aos empréstimos. A religião protestante confirma os novos valores por meio a doutrina da predestinação, considerando o enriquecimento um sinal da escolha divina.
Conforme os exemplos, as manifestações das superestrutura (no caso, moral e direito) são determinadas pelas alterações da infra-estrutura decorrentes da passagem econômica do sistema feudal para o capitalista.
Portanto, para estudar a sociedade não se deve, segundo Marx, partir do que os homens dizem, imaginam ou pensam, e sim da forma como produzem os bens materiais necessários á sua vida. Analisando o contato que os homens estabelecem com a natureza para transformá-la por meio do trabalho e as relações entre si é que se descobre como eles produzem sua vida e suas idéias.
No entanto, essas determinações não podem nos fazer esquecer do caráter dialético de toda determinação: ao tomar conhecimento das contradições, o homem pode agir ativamente sobre aquilo que o determina.
A práxis - Ao analisar o ser social do homem, Marx desenvolve uma nova antropologia, segundo a qual não existe uma "natureza humana" idêntica em todo tempo e lugar. Para ele, o existir humano decorre do agir, pois o homem se autoproduz à medida que transforma a natureza pelo trabalho. Sendo o trabalho uma ação coletiva, a condição humana depende da sua existência social. Por outro lado, o trabalho é um projeto humano e como tal depende da consciência que antecipa a ação pelo pensamento. Com isto se estabelece a dialética homem-natureza e pensar-agir.
Marx chama de práxis à ação humana de transformar a realidade. Nesse sentido, o conceito de práxis não se identifica propriamente com a prática, mas significa a união dialética da teoria e da prática. Isto é, ao mesmo tempo que a consciência é determinada pelo modo como os homens produzem a sua existência, também a ação humana é projetada, refletida, consciente.
Por isso a filosofia marxista é também conhecida como filosofia da práxis.


12.
Leia a frase e faça o que se pede: “A depreciação do mundo dos homens aumenta em razão direta da valorização do mundo das coisas.” (Manuscritos Econômicos e Filosóficos)

Utilize o instrumental marxiano para estabelecer a relação entre Divisão do trabalho, alienação, mais-valia e Fetiche.



I. A Origem Histórica do Capitalismo
Historicamente a capitalismo se funda graças a um longo processo de ACUMULAÇÃO PRIMITIVA DE CAPITAIS que concentrou nas mãos da burguesia a propriedade privada dos meios de produção (terras, máquinas, ferramentas). Nas cidades, o artesanato gradativamente foi perdendo força frente às unidades manufatureiras e, posteriormente, maquinofatureiras; e a agricultura totalmente reformulada a partir dos interesses capitalistas acabou por suplantar definitivamente as relações feudais de produção. Tudo isso provocou a liberação de uma incomensurável massa do despossuídos, que só podiam encontrar na venda da sua torça de trabalho sua única fonte de sobrevivência. Surgia assim a relação social de produção característica do capitalismo: o assalariamento (burgueses X proletários).


II.O Salário
Ao vender sua força do trabalho, o operário recebe em troca uma certa remuneração na forma de SALÁRIO que será suficiente para reproduzir as condições básicas de sobrevivência do trabalhador. Por conta disso pode-se afirmar que a força de trabalho (capacidade de realizar trabalho) transforma-se, no capitalismo, em uma MERCADORIA como outra qualquer.


III. Trabalho, Valor e Lucro
Muito embora a força do trabalho seja considerada uma mercadoria, ela se destaca das demais, pois, ao ser consumida cria, gera um valor superior ao seu. Imaginemos o ambiente fabril em que o capitalista invista certa quantidade de dinheiro/capital (D) comprando algumas mercadorias (M) (como matérias-primas, máquinas e força de trabalho). Quando iniciamos a produção (P) novas mercadorias serão criadas (M’) vendidas e transformadas em dinheiro (D’), de modo que a processo de produção possa assim ser resumido:
D – M – P – M’ – D’

Sabemos que D’ > D. Se o trabalho humano é a ÚNICA mercadoria capaz de criar novos valores, seguramente originou dele a diferença entre D e D’. Essa diferença entre o que foi produzido pelo operário e o que foi remunerado a ele na forma de salário chamamos MAIS VALIA.


IV. Mais-Valia
Em uma determinada jornada do trabalho, parte dela o operário cria valores correspondentes ao seu montante do salário e o restante é apropriado pelo capitalista na forma de MAIS-VALIA. A mais-valia, prova da exploração capitalista sobre o proletariado, pode ser dilatada de duas formas:

a) Aumentando a jornada de trabalho
* Mais-valia ABSOLUTA

b) Introduzindo novas tecnologias
* Mais-valia RELATIVA

A primeira limita-se na resistência do operário para suportar longas jornadas, enquanto a segunda lança o embrião da CRISE DE SUPERPRODUÇÃO.


V. Alienação
Historicamente o capitalismo ALIENOU, separou a trabalhador dos seus meios de produção, impondo um trabalho especializado em um ambiente de acentuada divisão social do trabalho. O homem não consegue reconhecer-se enquanto produtor de toda a riqueza, nem tampouco enquanto classe social iludindo-se com o estado e com a democracia burguesa.
O combate à alienação se faz com a PRÁXIS, uma prática criativa, crítica e transformadora no sentido de construir uma sociedade igualitária, justa socialmente.

VI. Fetiche da Mercadoria
Qual o mistério da Mercadoria?
O mistério da mercadoria é encobrir as características sociais do trabalho, ela pronta e acabada não deixa passar a imagem de que é produto do trabalho humano. Adquirindo, então, um caráter fantasmagórico.
Para entender essa imagem é preciso compreender o que Marx chama de fetichismo da mercadoria. Grosso modo, fetichismo da mercadoria seria o fato de as pessoas, no sistema capitalista, se conhecerem e se relacionarem por intermédio das mercadorias.
A maioria das pessoas com as quais nos relacionamos são parte do processo de circulação das mercadorias. Podemos conhecer o fulano do açougue em frente, mas, primeiramente, o conhecemos como vendedor da mercadoria carne. Lembramos do sicrano da padaria da esquina, antes de tudo, como o vendedor de pão. Ou o beltrano porteiro da escola. Quanto a nossos amigos, conhecemos muitos deles porque vendem ou vendiam sua força de trabalho na mesma fábrica, banco, escola, etc. em que vendemos ou vendíamos a nossa força de trabalho. Desse modo, se o açougue fechar ou um colega for demitido, as chances de perdemos contatos com quem tínhamos relações de amizade são grandes. Esta é a realidade social em que vivemos, gostemos ou não.
A mercadoria não exerce mas aquele papel de intermediadora na relações entre seres humanos (pessoa-mercadoria-pessoa), agora ela ocupa os pólos (mercadoria-pessoa-mercadoria). Veja como isso se dá!!
Se  chegar à casa de um amigo de ônibus, meu valor é inferior ao de quem chega de BMW. Isso vale para a camisa que visto ou o relógio que trago no pulso. Não sou eu, pessoa humana, que faço uso do objeto. É o produto, revestido de fetiche, que me imprime valor, aumentando a minha cotação no mercado das relações sociais. O que faria um Descartes neoliberal proclamar: "Consumo, logo existo".
Se as mercadorias é que são as ligações entre nós, são elas que estabelecem relações entre si, em outras palavras, as mercadorias possuem vida social e não nós. É essa inversão que Marx chama de Fetichismo.
O mecanismo do fetichismo da mercadoria transforma as relações humanas em elos entre coisas. Acontece que hoje são as próprias coisas, no caso os produtos, que se referem a marcas e ganham identidade própria. Não basta tomar refrigerante, tem que ser Coca-Cola, não basta fumar, tem que ser Marlboro, como não basta comer hambúrguer, tem que ser McDonald's. Assim, a imagem torna-se a forma final da mercadoria.



13.
Existe uma clara tendência nas últimas duas décadas do século XX que ronda o mundo do trabalho. A flexibilização das relações trabalhistas admite até a redução das jornadas de trabalho, proposta essa inaugurada com o movimento operário no século passado, que passa hoje a ser bandeira da burguesia. Diante dessa situação, faça uma análise marxista da questão e responda:

Não seria uma contradição estarmos reduzindo a jornada e a lucratividade não ser drasticamente afetada?

Aparentemente sim, no entanto Marx já nos avisara que a mais valia poderia ser ampliada de duas maneira, ora aumentando a jornada de trabalho, ora introduzindo inovações tecnológicas, no segundo caso teríamos a representação da mais valia relativa o que seguramente pode garantir rentabilidade ao capitalista mesmo que tenhamos redução da jornada de trabalho, afinal de contas a quantidade de trabalho socialmente necessária para produzir mercadorias é cada vez menor em função do papel cumprido pelas máquinas (que também se traduzem em trabalho humano).


14.
Pesquise e faça um breve histórico sobre a transformação do movimento operário no Brasil suas conquistas e retrocessos.

MOVIMENTO OPERÁRIO E SINDICALISMO

1. Origem do Movimento Operário
* Condições históricas criadas pela revolução industrial: desapropriação no campo e na cidade, formação do proletariado, degradantes condições de vida e de trabalho.
* Luddismo: reconhece a máquina e o desenvolvimento tecnológico como o responsável por suas condições indignas.
* Cartismo: Movimento que reunia as reivindicações operárias na ‘Carta do Povo”

2. Manifesto do Partido Comunista (1848)
* Reconhecimento da luta de classes
* Critica e superação da propriedade privada
* Internacionalismo revolucionário

3. Primeira AlT (1864)
* Internacionalização da luta operária
* Cisão entre marxistas e anarquistas

4. Massacre de 1° de maio de Chicago
* Luta pela redução da jornada (8h de trabalho, 8h de sono e 8h de lazer)
* Dura repressão policial

5. Comuna de Paris (março de 1871)
* Primeira experiência operária a frente de uma cidade
* Não instalaram uma ditadura do proletariado para resistir a contra ofensiva burguesa.
* Resultou no massacre de 30 mil communards

6. Segunda Internacional (fundada em 1889)
*  Moderados, Revisionistas e Radicais (Lenin e Rosa Luxemburgo) compõe a Internacional.
* O grande tema foi a participação dos trabalhadores na 1ª Guerra Mundial, considerada pelos radicais como uma guerra burguesa.
* É a Internacional chamada de socialista, mas com um caráter claramente social democrata.

7. Revolução Russa (1917)
* Vitória boichevique sobre o czarismo e sobre a burguesia, num país de capitalismo atrasado.
* Taylorismo e a NEP como formas de recuperar a economia nacional para o ingresso no socialismo.
* Morte de Lenin (1924) e a disputa entre as forças pelo secretariado geral leva o stalinismo ao poder.
* São negadas velhas bandeiras: internacionalismo revolucionário, a destruição da propriedade privada, o fim do Estado, etc.

8. As manifestações da juventude em 1968
* As causas da juventude estavam ligadas à liberdade e ao prazer.
* Foram responsáveis por estimular o movimento operário no período.
* Movimento Estudantil, Movimento feminista, Panteras Negras, Hippie, Contra-cultura,  Resistência à ditadura (Brasil), etc. foram importantes exemplares das manifestações de 1968.


Movimento Sindical no Brasil

1) A República Velha: Anarco-sindicalismo e o PCB
* O assalariamento trouxe junto consigo a formação do anarco-sindicalismo, influenciado fundamentalmente por imigrantes.
* O grande marco da mobilização foi a Greve de 1917.
* A partir de 1922 o movimento é hegemonizado pelo PCB de orientação soviética, posteriormente stalinista.

2) Vargas e o sindicalismo
* A CLT representou, em síntese, o avanço das conquistas dos trabalhadores materializadas numa
legislação minimamente protetora e, por outro lado, todo o esforço em atrelar os movimentos sindicais, transformando-os em pelegos.

Cidadania na era Vargas (1930-1945)
- Populismo
- Ampliação na legislação Social
- Constituição de 1934
    * Voto Feminino // Criação de um Salário Mínimo (adotado somente em 1940)

q       Direitos Sociais
                    * Concessão do Estado
                    * Ideologia: Vargas, auto-intitulado “Pai dos Pobres”

q        Direitos Políticos
                     * Praticamente desapareceram, de 1937 a 1945
               * Poder executivo é considerado o “órgão supremo do Estado”

q       Direitos Civis
           * Direito atrelados ao Estado
           * Greve: considerada legal apenas se autorizado pela Justiça do Trabalho
           * Sindicalismo Pelego

3) Movimento operário entre os anos de 1945-64
* O período de “redemocratização” foi permeado pelo crescimento econômico e das luas sociais.
* No campo, as Ligas Camponesas, e na cidade, o CPC da UNE e o movimento operário.

4) Sindicalismo e Ditadura
* A ditadura foi responsável, dentre outras coisas, pela retirada da estabilidade do trabalhador e sua substituição pelo FGTS.
* Além disso, a repressão, sobretudo a partir de 1968, desmontou a resistência.
* A recuperação se deu ao final da década de 1970, com a fundação do PT e da CUT, em oposição à ditadura, ao sindicalismo pelego e ao stalisnismo.
* Direitos civis e políticos foram restringidos pela violência
         - Repressão, Tortura, assassinatos, exílio político
         - Abertura Política
         - Diretas Já (1984)

5) A década de 1980
* Esta foi importante por representar um período importante de redemocratização e crescimento dos movimentos sociais, responsáveis pelo movimento das Diretas Já! e pelo grau de democratização da Constituinte de 1988.

6) Impactos da Globalização sobre o movimento operário e sua legislação
* A dinâmica do desemprego traz medo e a redução dos filiados nos sindicatos.
* Somado a isto, o toyotismo e a Queda do Muro de Berlim levam o sindicalismo para uma postura defensiva, fazendo nascer o sindicalismo de participação ou sindicalismo de resultado, representado no Brasil pela Força Sindical.
* Com o movimento operário em refluxo, os ataques à CLT ocorrem no sentido de flexibilizá-la, ou seja, permitir que acordos entre as partes superem as conquistas estabelecidas em lei.



15.
Qual a diferença conceitual entre racismo e etnocentrismo? Por que os cientistas sociais e órgãos internacionais entendem que tais práticas são inaceitáveis?

A idéia de raça depende do conceito biológico de espécie, mais exatamente de herança genética, verificada em animais e plantas, mas que se aplica de modo igual aos seres humanos, uma vez que os grupos procuram, por exemplo, regular o acasalamento dos indivíduos e, de muitas maneiras, selecionar os pais. Todos os seres humanos pertencem a uma só espécie, Homo sapiens, no interior da qual existem, no entanto, diversas variações (polimorfismo) em termos de cor, diferentes padrões ou características físicas. Boa parte dos cientistas rejeita o conceito de raça, recusando-se a admitir que, no caso da espécie humana, possa existir agrupamento, tipos biológicos distintos, de acordo com uma classificação
baseada em diferenças transmitidas geneticamente. Na verdade, esses cientistas estão preocupados com outra coisa, o racismo, antagonismo entre grupos cujas diferenças polimórficas e de interação simbólica são extremamente óbvias — diferenças que nos separam em termos de idioma (raça definida segundo uma língua ancestral), nação (por exemplo, raça brasileira) e religião (por exemplo, raça muçulmana), todas sem sentido do ponto de vista biológico, o que não quer dizer todavia que sejam cientificamente inviáveis.
O racismo é, certamente, uma idéia moderna, que congrega não apenas pervertidos e ignorantes mas também aristocratas — como o conde Joseph-Arthur de Gobineau (1816-1882), cujo pensamento contribuiu para sistematizar a ideologia racista. Esse nobre francês, diplomata que serviu no Rio de Janeiro, achava que de todas as raças a branca era superior e, dentre o grupos raciais brancos, os mais civilizados eram os povos de língua indo-européia, os arianos. Superioridade, para ele, era sinônimo de “pureza”, isenção de qualquer contato e influência da parte de negros ou amarelos — principalmente do ponto de vista genético, pois a miscigenação acarretaria perda de vitalidade e criatividade e aumento de corrupção e imoralidade.
Com Houston Chamberlain (1855-1927), um inglês convencido de que as características físicas faziam dos alemães brancos, altos e dolicocéfalos (crânio oval), o “tipo nórdico ideal” de “raça superior”, Gobineau constituiu a base “científica” da doutrina de Adolf Hitler (1889-1945). Esse político transformou o racismo em instrumento de poder, ao instilar orgulho, confiança e espírito de sacrifício no povo alemão, justificando escravização e aniquilação de outros povos, obtendo apoio para uma guerra longa, total, onde os germânicos e seus aliados jamais deveriam ser derrotados, graças à força da ideologia racista.
Toda cultura tem seus próprios padrões de comportamento, os quais parecem estranhos às pessoas de outras formações culturais. As culturas podem ser excessivamente difíceis de se compreender de fora. Não podemos entender as práticas e as crenças separadamente das culturas mais abrangentes de que fazem parte. Uma cultura tem que ser estudada em termos de seus próprios significados e valores — uma suposição-chave da sociologia. Essa idéia também é referida como relativismo cultural. Os sociólogos se esforçam tanto quanto possível para evitar o etnocentrismo, que é a prática de julgar outras culturas comparando-as com a nossa. O etnocentrismo é um subproduto inevitável das diferenças culturais, com indivíduos que vêem como inferiores aqueles símbolos culturais distintos dos seus. Esse etnocentrismo leva à intolerância, e a intolerância, por sua vez, ao conflito e às tensões.


16.
Pesquise e identifique os processos de preconceito e discriminação no Brasil:

a)    Gênero.
b)    “Raça” / Etnia.
c)     Classes.



Preconceito: conceito ou opinião fornada antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos; julgamento ou opinião formada sem levar em conta os fatos que o contestem. Trata-ser de um pré-julgamento, isto é, algo já previamente julgado.
Discriminação: separar; distinguir; estabelecer diferenças. A discriminação racial corresponde ao ato de apartar, separar, segregar pessoas consideradas racialmente diferentes, partindo do princípio de que existem raças “superiores” e “inferiores” - o que ficou definitivamente comprovado pela Ciência que não existe.
Racismo: teoria que sustenta a superioridade de certas raças em relação a outras, preconizando ou não a segregação racial ou até mesmo a extinção de determinadas minorias.
De acordo com essas definições, o preconceito se expressa na sociedade, mas não necessariamente segrega ou discrimina; já a discriminação promove, baseada em certos preconceitos, a separação de grupos ou pessoas. Por outro lado, o racismo mata, extermina, produz o ódio entre grupos e indivíduos.


a) Gênero X Sexo

Em todas as sociedades, os homens categorizam-se uns ao outros como masculino ou feminino; e com base nessa distinção as crenças culturais e normas indicam quais status os homens e as mulheres deveriam ocupar e como eles deveriam desempenhar os papéis associados com esses status. Tem havido no curso da evolução humana enorme variação no que é definido como adequado aos homens e às mulheres, um fato que indica que distinções entre os sexos são mais socioculturais do que biológicas. Esse processo de definir culturalmente status e papéis adequados para cada sexo é denominado de diferenciação de gênero; e esse conceito deveria ser distinto da diferenciação sexual, que denota as diferenças biológicas entre homens e mulheres. Em geral, os sociólogos usam o termo “sexo” para referir às diferenças anatômicas e fisiológicas que definem os corpos masculinos e feminino. Gênero, em contrapartida, diz respeito às diferenças psicológicas, sociais e culturais entre homens e mulheres.
         As diferenças de gênero são raramente neutras – em quase todas as sociedades, o gênero é uma forma de estratificação social. O gênero é um fator cricial na estruturação dos tipos de oportunidades e de chances de vida enfrentadas pelos indivíduos e por grupos, influenciando fortemente os papéis que eles desempenham dentro das instituições sociais desde os serviços domésticos até o Estado. Os papéis dos homens são, em geral, muito mais valorizados e recompensados que os papéis das mulheres: em quase todas as culturas, as mulheres carregam a responsabilidade principal de cuidar das crianças e do trabalho doméstico, enquanto os homens, tradicionalmente, nascem com a responsabilidade de sustentar a família. A preponderante divisão de trabalho entre os sexos levou homens e mulheres a assumir posições desiguais em termos de poder, prestígio e riqueza.
Apesar dos avanços que as mulheres fizeram em muitos países, as diferenças de gêneros continuam servindo de fundamento para as desigualdades sociais. Investigar e solucionar a desigualdade de gênero tornou-se uma preocupação central dos sociólogos. Muitas perspectivas teóricas foram postuladas para explicar o duradouro domínio dos homens sobre as mulheres — nos campos da economia, política, da família e em tantos outros.


b) “Raça” / Etnia

A raça pode ser entendida como um conjunto de relações sociais que permitem situar os indivíduos e os grupos e determinar vários atributos ou competências com base em aspectos biologicamente fundamentados. As distinções raciais representam mais do que formas de descrever as diferenças humanas — são também fatores importantes na reprodução de padrões de poder e de desigualdade dentro da sociedade.
         Enquanto a idéia de raça implica, erroneamente, a noção de algo definitivo e biológico, o conceito de “etnicidade” tem um significado puramente social. A etnicidade refere-se às práticas e às visões culturais de determinada comunidade de pessoas que as distinguem de outras. Os membros dos grupos étnicos consideram-se culturalmente distintos de outros grupos da sociedade, e, em troca, são vistos dessa forma por esses outros grupos. Diferentes características podem servir para distinguir um grupo étnico do outro, mas as mais comuns são língua, história ou linhagem (real ou imaginada), religião e estilos de roupas ou de adornos. As diferenças étnicas são completamente aprendidas, um ponto que parece evidente até nos lembrarmos de como é comum alguns grupos serem considerados “soberanos natos” ou “preguiçosos”, “ignorantes” e assim por diante. Na verdade, não há nada de inato na etnicidade; é um fenômeno puramente social, produzido e reproduzido ao longo do tempo. Através da socialização, os jovens assimilam os estilos de vida, as normas e as crenças de suas comunidades.
No Brasil presenciamos diversas formas de racismo, preconceito e discriminação, basicamente contra os negros. Elas se expressam nos índices estatísticos de escolaridade de jovens negros, que se apresentam inferiores aos brancos; no nível de renda, em que negros recebem os menores salários na mesma profissão em relação aos brancos; nos bairros pobres onde moram, que são menos assistidos pelo Estado, ao contrário, por exemplo, de bairros mais luxuosos, onde moram predominantemente brancos, etc. Quanto à cultura e à religiosidade, aquelas de matriz africana, como o candomblé e a umbanda, continuam sendo segregadas e discriminadas somente pelo fato de não apresentarem uma origem ocidental, monoteísta e branca.


c) Classes
A estratificação social em classes é um tipo baseado nas condições econômicas, manifestando-se morfologicamente no consumo e, politicamente, ligado a estruturas de dominação.
Karl Marx. Tratando de classe social, ele nos apresenta um conceito negativo: “Marx fez salientar que a classe não é casta, nem estado,2 nem corporação, nem profissão, nem ofício, nem categoria; que não se funda nem na fortuna, nem no salário, nem no nível ou gênero de vida — embora possa repercutir em várias dessas características” (Gurvitch, 1 960a:86).
Entre os indicadores das classes sociais enumerados por Marx (e também pelos marxistas), citamos: condições econômicas, a participação nos antagonismos sociais (luta pelo poder) e consciência de classe.
Max Weber, por sua vez, afirma que existe classe “quando: (1) certo número de homens tem em comum um componente causal específico de suas oportunidades de existência, na medida em que, (2) tal componente esteja representado exclusivamente por interesses lucrativos e de posse de bens, (3) nas condições determinadas pelo mercado - de bens ou de trabalho - (situação de classe)”.
“As situações de classe são funções das situações de mercado: os proprietários que dispõem de bens visam ao lucro, enquanto os não-proprietários, que não dispõem de bens, mas de serviços, visam aos bens que não possuem. Enquanto os não-proprietários necessitam de bens que os proprietários possuem, estes podem não querer trocá-los por serviços. Essa situação de mercado, como a relação credor-devedor, onde se instaurou um mercado de crédito, pode determinar a luta de classes”.
Enquanto para Marx a luta de classes é inexorável, e por haver luta é que as classes se definem, para Weber, por haver uma situação de mercado é que pode haver luta de classes. Essa luta identifica grupos econômicos que objetivam a prevalência na dominação. E a interferência que se estampa das condições estruturais econômicas na política.
Outro assim, enquanto as camadas mais baixas são concitadas à consciência de classe, as camadas mais altas criam a consciência grupal, sobretudo no usufruto do poder político em ato, definida como industriais, banqueiros, comerciantes, religiosos, ruralistas, militares. Aliás um grupo econômico inspira sentimento de “proteção” a seus pares quando guindados ao poder executivo tanto no âmbito municipal e estadual quanto federal.
“A camada mais alta, independente economicamente, detém ainda o controle político ou dele é independente, colocando-se por sobre as leis porque as elabora, julga-as, manda executá-las. Aliás, a confusão entre burguesia e democracia nasceu com o fortalecimento do próprio status entre os estamentos medievais. Acontece, porém, que, repelida em suas pretensões, pela estrutura então vigente, converteu-se em estrato dialético da inovação, apoiando-se nos outros citadinos como instrumentos de sua pretensão. A existência de mobilidade vertical na sociedade de classes determina o culto ao nível de aspiração ascendente. Essa aspiração transportada para o sistema político promove o Estado burguês como Estado democrático, isto é, as camadas mais baixas defendem a burguesia em nome da democracia” (Castro, 1999:161).
Cabe lembrar que o desenvolvimento da sociedade de classes no Brasil esta relacionado com a consolidação de uma classe proprietária, detentora da posse da terra e dos demais meios de produção. Em um país fundamentalmente agrícola, essa classe apropriava-se com facilidade da maior parte da riqueza produzida, já que exploração da mão de obra escrava. Apos a abolição, esse cenário sofreu algumas reconfigurações, com a chegada dos imigrantes, que ocuparam boa parte dos postos de trabalho assalariado. Mas a hegemonia política e econômica na sociedade permaneceu nas mãos dos grandes fazendeiros.


17.
Sobre a democracia moderna e as formas de participação política:

a)    Conceitue Democracia.

Divisão funcional do poder político — o poder político do Estado não fica concentrado num único órgão. Ao contrário, apresenta-se dividido em vários órgãos, que se agrupam em tomo das seguintes funções típicas: função legislativa (elaboração das leis); função executiva (execução das leis pela administração pública); função jurisdicional (aplicação das leis e distribuição da justiça). Nos regimes democráticos, deve existir independência e harmonia entre os poderes legislativo, executivo e judiciário;
Vigência do Estado de direito — o poder político é exercido dentro dos limites traçados pela lei a todos imposta. A lei, assim, subordina tanto o Estado como a sociedade. A isso se chama Estado de direito. Onde vigora o Estado de direito, o cidadão respeita o Estado, mas o Estado também respeita os direitos do cidadão, como, por exemplo, o direito à liberdade de pensamento, expressão, associação, imprensa, locomoção etc.
A forma que a democracia assume em determinado contexto é, sobretudo um resultado de como seus valores e metas são entendidos e priorizados. A democracia é geralmente vista como o sistema político mais capaz de assegurar a igualdade política, de proteger a liberdade e os direitos, de defender o interesse comum, de satisfazer às necessidades dos cidadãos, de promover o autodesenvolvimento moral e de permitir uma tomada de decisões eficaz que leve em consideração os interesses de todos.



b)    Diferencie o sistema político representativo de um autoritário e estabeleça a relação entre Estado, sociedade civil e os partidos políticos.

Democracia representativa é um sistemas políticos nos quais as decisões que afetam a comunidade não são tomadas pelo conjunto de seus membros, mas pelas pessoas que eles elegeram para essa finalidade. Na área do governo nacional, a democracia representativa assume a forma de eleições para os Congressos, Parlamentos ou organismos nacionais similares. A democracia representativa também existe em outros níveis nos quais as decisões coletivas são tomadas, como nas províncias ou nos estados que estão dentro de uma comunidade nacional global, nas cidades, nos condados, nos distritos e em outras regiões. Muitas organizações de grande porte aproveitam a democracia representativa na direção dos negócios, elegendo um pequeno comitê executivo responsável pelas principais decisões.
         Enquanto a democracia estimula o envolvimento ativo dos cidadãos nas questões políticas, nos estados autoritários a participação popular é repudiada ou severamente restringida. Nessas sociedades, as necessidades e os interesses do Estado ganham prioridade sobre os dos cidadãos comuns, e nenhum mecanismo legal de resistência ao governo, ou para remover um líder do poder, é instituído.


c)     Diferencie plebiscito de referendo. Cite pelo menos um exemplo de cada.

Além das eleições regulares, existem outras formas institucionais (oficializadas pelo Estado) de participação popular, são elas o plebiscito e o referendo. Seu uso tem destaque na Europa do século XIX, à medida que o Estado Liberal, pressionado pelo movimento operário e demais movimentos sociais, inicia um processo de democratização. Contudo o uso diversificado destes artifícios fez com que a conceituação se fizesse de forma superficial. Se buscarmos as modalidades de plebiscitos e referendos utilizados nos últimos duzentos anos, veremos que até mesmo a confusão dos significados foi realizada pelos diferentes Estados.
Para tornar mais simples o entendimento, parte-se de que ambos são instrumentos constitucionais que permitem ao poder público captar os anseios da coletividade que ele representa. De certa forma, quebram o regime de democracia indireta ou representativa e fazem a opinião popular decidir, sem intermediários, os caminhos da sociedade. Nas duas situações abre-se um processo de debate nacional acerca de uma questão de interesse geral e colhe-se da população sua postura majoritária. De uma maneira geral, estes instrumentos servem para aumentar a participação popular nas decisões públicas. No entanto, pode servir, nas mãos de governos populistas, para legitimar também atos autoritários.
No caso específico do plebiscito, a tradição histórica o leva a ouvir o pronunciamento popular antes que uma ação concreta do Estado seja tomada sobre determinada temática. Ou seja, em meio a um impasse, o Estado busca ouvir seu povo antes de optar por alguma política pública. Na década de 1990, para ser mais preciso em 1993, no Brasil, utilizou um plebiscito para a definição de forma (presidencialismo e parlamentarismo) e regime (república e monarquia) de governo.
Por seu turno, o referendo, pela mesma experiência histórica, diz respeito a um evento que ratifica ou não uma ação governamental previamente tomada, o que quer dizer que a população se posiciona sobre algo que o governo já fez, legitimando ou não tal ação.




18. Sobre a emergência de novos atores sociais:

a)    Conceitue Movimentos sociais.

Por movimentos sociais entendemos um conjunto de ações, oriundo do questionamento do Estado, pelo reconhecimento dos oprimidos, reivindicando-lhes a participação como cidadãos capazes de manifestar as próprias necessidades e exigir a correspondente satisfação.
Trata-se de empreendimentos coletivos que visam a certos objetivos comuns por meio de uma ação coletiva fora dos canais constitucionais da política. valorizando a ação direta, sem mediação de partidos políticos.
Os movimentos sociais caracterizam-se por reunir pessoas congregadas numa área determinada, que compartilham de experiências comuns: a igualdade de situação e o sofrimento da injustiça.



b)    Qual o papel das ONG’S?

As organizações não governamentais são entidades que “evocam o mundo da política, da militância, da cidadania, da modernidade”, carregando, particularmente em seu início, um certo sentido “antigoverno” ou mesmo de oposição ao Estado. Por outro lado, seriam também canais de participação das classes médias na esfera pública, “exercendo funções de tradução e reartículação de interesses e demandas dos setores populares nas arenas institucionais de confronto e negociação dos conflitos sociais”. São “entidades privadas, porém públicas”, prestadoras, entre outras funções, de “serviços morais”, em que se destacam valores como “justiça, liberdade, democracia, equilíbrio ecológico”, numa palavra, “cidadania em sentido amplo”.


19. Pesquise as principais pautas de reivindicações dos novos movimentos sociais em busca de identidade e disserte sobre elas:

a) Negro.
b) Mulheres.
c) GLBTT.
d) Ambientalismo.
e) Antiglobalização.


a)    Negro

Após a abolição, esperava-se a integração completa dos afrodescendentes na sociedade. No entanto, a velha ordem racial não desapareceu com o fim do trabalho escravo. Em vez disso, houve uma continuidade: ela foi assimilada e integrada as novas estruturas sociais surgidas com o desenvolvimento do trabalho livre. Segundo Florestan Fernandes, a “revolução burguesa”, desencadeada com o fim da escravidão, beneficiou apenas alguns segmentos da sociedade brasileira. Entre os mais favorecidos, encontrava-se a porção “branca” da população.
Esse primeiro segmento, dos “brancos” de origem européia, beneficiou-se de todas as transformações decorrentes do crescimento econômico, do surto industrializante, do processo de urbanização e do desenvolvimento de uma cultura citadina. O segundo, integrado pelos afrodescendentes, permaneceu à margem da sociedade nacional, excluído em boa medida de todas as benfeitorias que essas transformações engendraram.

b) Mulheres
Uma situação semelhante a do movimento negro era compartilhada pelo movimento feminista. As mulheres viam se limitadas tanto em relação aos seus direitos políticos — nas primeiras décadas do século XX, elas ainda não haviam conquistado o direito de voto em numerosas sociedades democráticas ocidentais -, quanto aos seus direitos sociais, já que eram consideradas inferiores e a função social delas era limitada aos cuidados domésticos com o espaço privado, o lar. A situação começou a mudar nas ultimas décadas do século XIX, com as mobilizações femininas pelo direito de voto. No Brasil, as mulheres votaram pela primeira vez em 1933, nas eleições para a Assembléia Constituinte.

Direito ao corpo
Na segunda metade do século XX, o movimento feminista levantou novas bandeiras. O desenvolvimento de métodos contraceptivos mais seguros, como a pílula, diminuiu os riscos de uma gravidez indesejada. O resultado foi que as mulheres, casadas ou solteiras, passaram a ter uma vida sexual mais ativa, o que derrubou por terra uma serie de padrões comportamentais socialmente estabelecidos. O passo seguinte foi a afirmação do direito ao próprio corpo: caberia a mulher decidir se queria continuar ou interromper uma gestação. A legalização do aborto e sua realização nos hospitais públicos tornaram-se reivindicações usuais nas manifestações feministas.

Esfera profissional
Paralelamente, o abandono do espaço privado e o ingresso no mercado de trabalho levaram a mulher a buscar sua afirmação em uma sociedade ainda dominada por valores patriarcais. Hoje. é possível observar uma situação que, se não e igualitária, ao menos é marcada por avanços por parte do movimento feminista. Entre eles estão o tratamento idealmente indiferenciado na esfera profissional e a mudança da realidade familiar, com muitas mulheres assumindo o papel ele chefes de casa.


c) GLBTT

O movimento LGBTT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais), que se expandiu desde o final dos anos 1970. Ele representou uma reação às perseguições sofridas pela população LGBTT, vitima do preconceito e da hostilidade de grupos conservadores que não admitem opções sexuais e comportamentais distintas daquelas que consideram “adequadas”.
Hoje, a maior aceitação dessa população expressa a flexibilização dos hábitos sociais. Mas a nova a atitude também esta relacionada ao aumento do poder aquisitivo do grupo, importante mercado consumidor e sujeito social cada vez mais atuante.

d) Ambientalismo

Muito embora o ambientalismo não possua raízes definidas, hoje é considerado como um movimento de cunho internacional com representantes por todo o mundo, mostra de que tornou-se um movimento organizado e consistente.
         Assim, a despeito das mais variadas formas de movimentos ambientalistas é possível apontar como movimento organizado em prol do ambientalismo as ONG’s. Nesse caso, tem-se que a existência das ONG’s como movimentos ambientalistas organizados representando a sociedade civil tem sido bem aceito no contexto do ambientalismo, sobretudo quando estão centradas nas mediações de caráter educacional, político, de assessória técnica, prestação de serviços e apoio material e logístico, no sentido de desencadear transformações micro e macro sociais, no que se refere ao ambientalismo global.



e) Antiglobalização

O ambientalismo, movimento ecológico ou movimento verde consiste em diferentes correntes de pensamento de um movimento social, que tem na defesa do meio ambiente sua principal preocupação, demandando medidas de proteção ambiental, tais como medidas anti-poluição.
O ambientalismo não visa somente os problemas ligados ao meio ambiente, mas também as atitudes a serem tomadas para uma possível diminuição ou até mesmo solução desses problemas.
Considerando-o um movimento social, podem inserir-se neste contexto, todas as instituições, agências, organizações-não-governamentais, políticas (como os Partidos Verdes), ativistas independentes e outros, cuja atuação tenha por princípio a defesa do meio ambiente seja através de manifestações sociais, projetos para a conservação ecológica etc. O movimento por justiça ambiental considera que os problemas ambientais ligam-se aos sociais.
Um ambientalista é alguém que acredita que o meio ambiente, por ser a fonte de recursos da humanidade, deveria ter sua exploração de forma mais planejada a fim de não esgotar o planeta para as gerações futuras.
Segundo os ambientalistas o consumo desenfreado de matérias primas sem reposição, a poluição, o desmatamento, entre outros estão consumindo todos os recursos do planeta e dentro de algumas décadas tais recursos não estarão mais disponíveis.














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:: Conceitos Decisivos - I ::
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